klaxofônico

September 24, 2007

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Mais ou menos assim, eu tava lendo o blog sobre o filme da clarahverbuck, Nome próprio. Se pá, estreia na mostra de sp e isto muito me interessa. Link leva a link e eu caio num passado remoto do brazileira!preta e leio tudo daquele mês. E fico puta comigo mesma, porque eu lia o blog da clarah em 2002 quando eu tinha na verdade 15, 16 anos e eu não entendia o que ela escrevia. Não entendia e não gostava, achava chato, egocêntrico e pedante. Pedante no mau sentido (eu tenho o bom sentido aqui, ó). E eu caí num arquivo de março de 2002 quando ela fala da luta contra o monstro da academia, sobre os primos capanemas, sobre londres, new york, e sobre a vontade da vida que eu pareço nem ter mais. Ela amava doves e escrevia com um gato no colo. O Truffaut está no meu. Não sei quando me acomodei, quando achei que quero trabalhar pra ganhar dinheiro e estudar um mestrado para não saber o que fazer. Eu pareço uma fuga constante do que eu fui e - pior ainda - do que eu acho que fui e deveria ser pra sempre. Eu era mais impulsiva, mais divertida e mais doida uns anos atrás. E nem lia o blog dela. Em 2002, eu não entendia. Hoje, com 21 anos, eu entendo os arquivos. E invejo que ela fez o que queria, com quem queria, onde queria. E eu me prendo a regrinhas bobas aqui em casa, eu desisto de escrever, eu vou na cadsimia porque sim, eu faço um documentário que tá indo super bem, mas está acabando comigo. Eu desisti de escrever porque odeio tudo que escrevo. Eu pelo menos gosto da minha psicóloga e das pessoas ao meu redor. Não tenho grandes paixões, além de produtos da apple e um ítalo-brasileiro muito meu. Eu sou descontrolada por certas bandas e livros. Eu tenho festas com bebidas de graça, eu me entupo de vódega e redibú, faço e aconteço e tenho as piores ressacas morais da história. Eu devia ser tão mais livre do que sou. Eu tô lendo o Gabo e cara, Gabo, te considero pra caralho, mas eu não tô chorando nem nada. Cada poesia é sublime, mas afogada em cinco gerações e uma guerra que não acaba nunca. Eu também chorei quando Arturo jogou o livro no deserto, eu também fiz de londres o meu lugar com tantas pessoas legais, e eu entendo tudo agora, em pleno 2007, quando o mundo já passou e clarah tem filha e contas pra pagar. Eu só tenho a minha ânsia, e nada mais para agarrar.

o ano que vem

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Esse negócio de planejar o ano que vem do jeito que eu estou planejando é porque eu realmente acredito que estou perdendo minha juventude por um punhado de regras e acomodações e quando eu estiver lá longe eu serei livre e feliz, do jeito que eu sempre quis. Na minha inocência tardia, eu penso que vou reencontrar os anos perdidos e voltar aos trilhos outra vez.

Eu me agarro em certezas tão improváveis que tenho pena de mim mesma. 






















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